Morre aos 83 anos Édima de Souza Mattos, pioneira no combate ao racismo em Presidente Prudente
11/06/2026
(Foto: Reprodução) Morre em Presidente Prudente a professora Édima de Souza Mattos aos 83 anos
Uma das principais referências na luta pela valorização da população negra e no combate ao racismo em Presidente Prudente (SP), a professora doutora Édima de Souza Mattos morreu na madrugada desta quinta-feira (11), aos 83 anos.
O velório é realizado na Casa de Velório Athia. O sepultamento está previsto para ocorrer no Cemitério Municipal São João Batista em horário a ser definido.
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Natural de Arapiranga, no interior da Bahia, Édima nasceu em 8 de setembro de 1942 e se mudou com a família para o Oeste Paulista ainda criança. Aos 10 anos, passou a viver em Presidente Prudente, cidade onde construiu uma trajetória marcada pela educação, pela pesquisa científica e pela militância em defesa da igualdade racial.
A educadora iniciou a carreira aos 16 anos, lecionando inglês na Escola de Comércio Joaquim Murtinho. Formou-se em Letras, em Adamantina (SP), e posteriormente em Pedagogia pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).
Mais tarde, concluiu mestrado e doutorado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e realizou pós-doutorado pela Universidade de São Paulo (USP).
Porém, Édima iniciou a carreira como professora aos 16 anos e, desde a década de 1990, esteve engajada em ações voltadas à promoção da igualdade racial. Ao longo da trajetória, visitou escolas para incentivar estudantes afrodescendentes a permanecerem nos estudos em um período em que os índices de evasão escolar chegavam a 68%.
Em 2022, a doutora foi uma das homenageadas com o Prêmio Ruth de Souza, concedido pela Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo por sua atuação em defesa da população negra.
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Édima Mattos faleceu nesta quinta-feira (11), em Presidente Prudente (SP)
Unoeste/Divulgação
Educação, pesquisa e combate ao racismo
Doutora e pós-doutora, Édima integrou um grupo ainda pouco representado no ensino superior brasileiro e dedicou grande parte da vida à defesa da educação como ferramenta de transformação social.
Desde 1988, ano do centenário da abolição da escravidão no Brasil, a professora participou ativamente de movimentos ligados à valorização da população negra, marcando sua atuação pelo enfrentamento da discriminação racial e pela promoção da inclusão de estudantes negros no ambiente acadêmico.
Aposentada da rede estadual de ensino, permaneceu em atividade na Unoeste por mais de 35 anos, passando por diferentes cursos e faculdades da instituição. Até os últimos dias de vida, seguia envolvida em projetos acadêmicos e pesquisas desenvolvidas em parceria com o Ministério da Saúde.
Entre as contribuições na área da saúde, participou da elaboração de um projeto-piloto sobre anemia falciforme, doença que afeta principalmente a população negra e que serviu de referência para iniciativas implantadas em outras regiões do estado de São Paulo. Um de seus objetivos era contribuir para a criação de um ambulatório especializado no tratamento da doença em Presidente Prudente.
Ela também coordenou pesquisas na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP) voltadas à saúde mental e à incidência de sífilis entre mulheres privadas de liberdade, além de desenvolver projetos de extensão direcionados à inclusão social e ao atendimento de populações vulneráveis.
Em março deste ano, participou de um evento em Brasília (DF) que consolidou a atuação do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (Nats), da Faculdade de Medicina de Presidente Prudente (Famepp/Unoeste), junto ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a Unoeste, Édima teve papel decisivo na articulação da parceria envolvendo o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Édima Mattos faleceu nesta quinta-feira (11), em Presidente Prudente (SP)
Unoeste/Divulgação
Reconhecimento acadêmico
A trajetória acadêmica de Édima também ultrapassou as fronteiras do país. Após defender sua tese de doutorado sobre literatura e jornalismo de Eça de Queirós, recebeu um convite para ministrar uma oficina, em Portugal, durante o Colóquio Internacional de Tormes/Eça e o Romance Oitocentista, realizado em 2016.
Ao longo de mais de seis décadas dedicadas ao ensino, à pesquisa e à extensão universitária, tornou-se uma das principais vozes em defesa da população negra e das comunidades vulneráveis da região oeste paulista.
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Édima Mattos faleceu nesta quinta-feira (11), em Presidente Prudente (SP)
Reprodução/Unoeste
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